Dificuldades para escrever

Na minha família, sou a pessoa com mais instrução até o momento. Consegui passar por uma Universidade Federal e agora estou no mestrado, mas uma coisa me incomoda: a dificuldade na escrita.

Parece tolo, mas para quem tem pretensão em se tornar pesquisadora, a inabilidade na escrita é um fardo. Como se não bastasse, assumi algumas tarefas enquanto militante política que me obrigam a escrever, o que pensei que seria ótimo para me forçar a escrever, mas tem se tornado um tormento, já que as ideias se perdem nas palavras que, eu tento em vão, tornar objetivo e inelegível.

Pode ser uma fase, penso. Mas será? Será que essa minha condição tem a ver com a minha dificuldade de leitura que tem se colocado atualmente. Sempre fui uma leitora voraz, me deliciava com livros e os lia em dias, semanas, mas atualmente acumulo pilhas de livros que só servem como peso de papel e para acumular poeira.

Mas, apesar da triste constatação que não sei escrever um texto de forma inelegível, ainda assim, vou me lançar a árdua tarefa de iniciar esse blog com o que eu mais temo: escrever. Quem sabe, sem todo o rigor científico inerente ao ato de pesquisar, como profissão, eu consigo retomar o gosto pela escrita e deixá-la cada vez mais leve, fluída, divertida e, se der, tornar um hábito e não mais um fardo, algo que eu tente a todo custo evitar para não encarar meus limites e ter que lidar com minhas dificuldades. Como um ex-namorado me disse certa vez: "você está no mestrado para aprender, então escreva, nem que seja errado, mas tente. Se não o fizer, nunca vai aprender".

Pensando bem, ele está certo. Foi assim que aprendi a dirigir. Fiquei um bom tempo dirigindo com alguém ao meu lado, saindo de madrugada para o trabalho para não pegar trânsito, escolhendo as avenidas mais vazias para que pudesse dirigir sem muitos percalços. Enfim, me arrisquei e em troca ganhei a liberdade de dirigir para qualquer lugar. Continuo com as minhas limitações, às vezes tomo uma surra para estacionar, descobri que tenho total inabilidade com o meu lado esquerdo, a tal ponto de só conseguir executar uma baliza se a vaga estiver ao meu lado direito. Não gosto de andar de ré, descobri que gasto pouco freio e que sou uma motorista prudente. Até hoje nenhum acidente.

Quem sabe só me falte descobrir uma fórmula de colocar em palavras, frases e parágrafos todos os meus anseios, sentimentos e ideias que vagueiam pela minha cabeça. Quem sabe só me falte um empurrão!



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