A valorização da vida.

 O homem empreendeu tantos esforços para dar um sentido a vida para além da sobrevivência que, vislumbrarmos somente a possibilidade de sobrevivência, sem ao menos garantir atividades que deem sentido à vida, me faz pensar qual o sentido de continuar vivendo.

Gostaria de dizer e escrever que a vida tem muita coisa boa pra ser vivida, que há pessoas que nos fazem a acreditar na vida, mas retomei a estaca zero e voltei a ver minha sacada como uma possibilidade. Não há um dia que eu não pense em cortar a minha tela que envolve toda a sacada para poder me atirar do 4º  andar. Uma morte rápida, porém dolorosa. Quando penso isso, passo pensar em todas as coisas que preciso fazer, todas as implicações burocráticas que decorreriam do meu suicídio:

Como ficaria a minha mãe?

Como ficaria a minha dívida junto ao banco alfa? 

Quem pagaria, teria algum seguro que eu poderia fazer para garantir algum conforto pra minha mãe?

Seguros cobrem mortes por suicídio? 

Teria que devolver grana pra CAPES? 

Ao passo que penso que a morte pode ser uma saída reconfortante para pessoas covardes como eu. Seria a minha forma particular de encarar a minha mediocridade, confirmada por minha atuação abaixo da média no mestrado e no cress. Seria um alívio imediato do que conviver com essa afirmação: Eu sou medíocre, não à toa que as pessoas nunca se recordam de mim, seria também uma forma de lidar (ou será que morrer pode ser considerado uma forma de lidar com o fracasso?) com a constatação do meu fracasso, da minha falta de talento.

Acho que o que motiva meus pensamentos suicidas é a constatação da minha mediocridade, da minha limitação, da minha finitude e o fato de não enxergar que possuo meios de driblar essa minha limitação. Logo, minha única saída seria a morte, o fim da vida.

Será que existe vida feliz com as minhas limitações. Será que o pulo do gato é descobrir e me permitir ser feliz sendo medíocre? Eu tenho andado muito envergonhada. Mesmo que eu não expresse isso, não verbalize, mas a realidade é: eu tô tão envergonhada de ser assim, eu to tão envergonhada de não dar conta, eu to tão envergonhada de me entender como um esboço mal feito do que eu projetei ser que gostaria muito não ter que lidar ou ter que ressignificar isso. Do mesmo modo, as vezes,  penso que de fato há alguma química na minha cabeça que não me deixa ficar bem, que não me permite ter o equilíbrio: ou acho que a vida é uma beleza e começo a viver sem nenhum planejamento, ou eu me torno essa pessoa de pouca vida, com pouca ou nenhuma energia, letárgica e lenta, mais lerda que o normal. 

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