Sou uma pessoa narcisista!
Vendo alguns vídeos do Emanuel Aragão e da Maria Flor, no canal do Youtube Flor e Manu percebi que o meu desespero por afeto é tão grande que eu mal me pergunto se minhas decisões vão me possibilitar uma vivência ou experiência mais tranquila. Estou na direção do meu conselho de profissão, um lugar que não é fácil, que é de muita disputa, mas o que me motivou foi a possibilidade de construir afetos. Em 06 meses de gestão, obviamente isso não aconteceu. É tão engraçado que beira a bizarrice, eu simplesmente sucumbo a qualquer análise mais fria e racional para me lançar em uma jornada que vai me colocar em situações que eu imploro o afeto alheio.
No vídeo intitulado por "Síndrome do Impostor" descobri que um indivíduo narcísico sempre pensa que tudo é sobre ele, porém, sempre há os dois extremos: quando pensa que o erro está sempre nos outros ou quando pensa que o erro está sempre nele próprio. Eu me encaixo no segundo caso. Deste modo, todos os dias eu travo uma grande guerra contra ao meu eu, tentando afastar essa voz em minha cabeça que teima em dizer: Você não é capaz! E em sua totalidade ela acerta.
Fato é que não estou em meu melhor momento. Estou fazendo o mestrado, não estou conseguindo me dedicar e escrever, em parte, penso tratar-se de situação de algum comprometimento cognitivo que eu tenha ou até mesmo déficit de atenção nunca diagnosticado, o que explica a minha dificuldade em planejar o futuro, traçar metas e estratégias, cumprir prazos e horários e a minha tendência a sempre procrastinar qualquer ação que demande um grande tempo em concentração.
Até tentei algumas técnicas para melhorar o meu foco, como o método pomodoro, mas é não posso negar a minha grande dificuldade em memorizar minhas tarefas, inclusive palavras, o que me faz demorar muito tempo para executar tarefas simples. Sempre tenho a sensação que nunca sei o que dizer e qual caminho percorrer. Por este motivo desenvolvi o hábito de me desculpar por tudo. Hoje percebo que minha mãe também é assim, talvez ela também tenha TDAH não diagnosticado.
O que me leva a outro ponto fundamental na minha vida: minhas relações amorosas. Eu sempre sou "abandonada", mesmo que eu tenha plena consciência que a relação em que estou não me é suficiente, não atende minimamente as minhas expectativas, sempre opto por continuar uma relação insatisfatória por conta do meu medo de rejeição, que me leva ao meu desejo por afeto. Nada me dá mais pavor que não ter o sentimento correspondido, até nas relações de trabalho, por mais que meu discurso seja o de "ninguém é obrigado ser amigo de ninguém no trabalho", mas as minhas atitudes não correspondem ao meu discurso. Admitir esse traço de irracionalidade em minhas ações é extremamente doloroso, significa que eu terei que lidar com esse traço de minha personalidade, além de tentar criar novas narrativas para essa minha busca incessante de afeto. O mais curioso em me descobrir narcisista é que eu sempre me defini como uma pessoa que não consegue pensar em si próprio, apenas nos outros, haja vista as furadas em que sempre me meto. O pulo do gato é que nunca pensei o que me motiva a entrar nessas furadas, atender ao meu ego que precisa ser amado de qualquer forma, nem que para isso eu me coloque em situações que me são desfavoráveis racionalmente, mas que possam me possibilitar um afeto momentâneo.
Retornando ao assunto relacionamentos, a única vez em que eu me propus a iniciar uma relação pela oportunidade, não gostava do rapaz, mas aceitei o namoro mesmo assim para não ter que lidar com a rejeição de outro rapaz pelo qual estava apaixonada. Hoje percebo que pulei uma etapa principal desse meu processo de elaborar meu aprendizado emocional, o luto. Não vivenciei esse luto, me lancei a um novo relacionamento que ao passar do tempo se tornou evidente o meu anseio pelo afeto e que ao final se tornou uma relação extremamente pesada e ressentida, pois não o amava, mas estava magoada por não receber o afeto que gostaria. E mesmo após o final da relação, ainda me sinto magoada porque ele simplesmente conseguiu ter uma nova relação e eu continuo aqui com os meus problemas de 03 anos atrás, quando o conheci e enfrentando a rejeição novamente de um outro rapaz que me permiti me envolver emocionalmente.Na tentativa de construir uma nova narrativa, me permiti chorar como nunca hoje. Vou me permitir ficar na fossa, quem sabe eu consigo começar a construir novas formas de vivenciar afetos.



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